quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vida cheia, vida vazia.


Sempre que vou ao sítio parece que deixo por lá um pedaço de mim. É como se esse pedaço ficasse impregnado nas plantas, na rede posta na varanda, no mar que fica ali próximo, na gente simples que por lá vive e em cada pedacinho do terreno vasto, com cheiro de mato. Deve ser por isso que quando volto à cidade, normalmente num domingo de sol ardente, passo horas meio melancólico, meio triste até mesmo, agora percebo que só pode ser por isso, quando retorno à vida corrida, de tempos curtos, sonos leves, sem canções de grilo à noite, sem canto de passarinho de manhã, sem o carinho dos cachorros, nem céu estrelado, nem uma cerveja gelada na sombra do pé de tamarindo, quando retorno a essa vida corrida, como eu vinha dizendo, deixo uma parte de mim por lá, deixo uma saudade gostosa que só me faz querer voltar um dia, e que esse dia não tarde. Passo as horas seguintes à saída desse querido lugar tentando tapar o mais rápido possível os pequenos vazios deixados por essa saudade.

Mas tenho uma estrada inteira para me recompor, para me lembrar da vida que me espera, da vida que não pára, meu amigo, daquela que foge constantemente ao seu controle, ao seu domínio, como um filho adolescente que se desgarra da mãe para buscar o mundo. É a vida dos carros, do tempo curto, a vida onde se olha mas não se enxerga, se respira mas não se cheira, se come mas não se sente gosto. Tenho uma estrada inteira para me lembrar da vida que me espera e da vida que ficou encostada no sítio. Da vida cheia. Da vida vazia.

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