quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma bola na praia e a saudade que já se hospeda.


Estávamos nós dois, eu e ela, sempre ela, a brincarmos na praia numa belíssima segunda-feira de Carnaval, à beira-mar, com as ondas de vez em quando beijando nossos pés enquanto nós, completamente envolvidos naquele mundinho nosso, esquecíamos de tudo ao nosso redor e só lembrávamos de distrairmo-nos com a simples bola de futebol que parecia estar ali somente para nos presentear com uma das mais inocentes e sutis amostras desse produto que não se vende nem se empresta. O amor.

Brincávamos de driblar um ao outro, e ela, como uma pequena criança que faz de uma brincadeira como essa uma final de campeonato, tentava de fato me driblar, tentava de fato proteger a bola antes que eu a roubasse facilmente, não emudecia nem se envergonhava com os dribles levados. Ao fim do nosso jogo, quando desisti da brincadeira para abraçá-la e beijá-la, vi que ela estava suada e apaixonada, como eu.

Agora essa cena está um pouco longe de se repetir, parece distante, um oceano de distância, e veja como nunca uma metáfora caiu tão bem numa sentença. A essa hora, dorme, talvez sonhando com essa mesma cena na praia, mas quem sabe conseguindo me driblar e pulando de alegria por isso.

Essa temporária e (tomara) breve distância trará, sem dúvida, uma nova experiência, às vezes saudosa ao ponto de me fazer, como agora, buscar na memória os mais simples momentos, cenas como essas, que estariam para sempre encaixotadas nos porões da memória se não fosse a intensa, pungente saudade, que me faz desencaixotar e soprar esses empoeirados lampejos de amor, só para lembrar o quão valiosos eles são. E como são.

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