domingo, 8 de agosto de 2010

Ponto de interseção.

Guardo carinhosamente na lembrança imagens de pessoas das quais nunca fui realmente amigo, das quais nunca fui muito próximo, mas que curiosamente me transmitem uma sensação muito, mas muito boa. É difícil de explicar, mas para isso mesmo é que servem as palavras, eu sei, e talvez ao final deste conjunto ainda desordenado de vocábulos eu consiga dar, digamos, forma gráfica a essa sensação de carinho, de querer bem, que, como disse, levo em relação a algumas pessoas que felizmente a vida me apresentou e infelizmente me distanciou, mas aí vai de cada um, muitos certamente se lamentarão por uma proximidade que poderia ter sido maior, por uma amizade que ali poderia ter nascido e esse tipo de pensamento, mas eu não, prefiro ficar com essa gostosa sensação de que conheci essas pessoas, isto é, em algum momento nossas vidas, como duas linhas retas desenhadas num papel, cruzaram-se, cruzaram-se e continuaram em suas respectivas direções, deixando de presente um ponto de interseção no meio dessas duas histórias, e vai ver é isso o que levamos mesmo da vida, pontos de interseção por onde nossa linha vai cruzando, e nada mais.

Mas, antes que me perca em tanto devaneio, vinha dizendo como evoco com afeto a imagem dessas pessoas, as quais, sem esforço nenhum, me fizeram mais feliz quando eu nem estava triste, me fizeram sorrir sem fazer graça alguma e me fizeram sentir bem sem ter sequer esse propósito, o que me traz à mente agora, neste exato momento, algo que certa vez li em algum lugar e que agora compreendo com muita clareza, que dizia que as pessoas vão se esquecer do que você disse, vão se esquecer do que você fez, mas jamais se esquecerão de como você as fez sentir, e deve ter sido por isso que hoje, subitamente, fui atingido por essa vontade de escrever para todas as pessoas que tive a felicidade de - mesmo que por um breve momento, uma farra, uma viagem, enfim, mesmo que por um só instante - poder conviver e ver como de fato às vezes as pessoas se sentem à vontade, se sentem bem ao lado de outras que acabaram de conhecer e, infelizmente, vão já ter de se despedir, mas isso só a vida lhes mostrará.

Se eu fosse dizer tudo isso a cada uma dessas pessoas que agora me passam pela cabeça, certamente elas não me entenderiam, ou não acreditariam nessas (tão sinceras) palavras, pois como pode, nunca fomos próximos a esse ponto, isso deve ser carência, solidão ou qualquer coisa parecida, pensariam. Mas a mim não importa, basta-me poder, sempre que quiser, evocar a imagem dessas pessoas e lembrar, sorrindo, como elas fizeram eu me sentir: bem.


Frase do dia:
"Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo
(...)"
Leila Pinheiro

Um comentário:

  1. Será que nossa vida realmente é feita de pontos, como ponto final para começar um novo ponto, nunca mudar a direção?

    Adorei o texto mas fica uma duvida

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