domingo, 10 de outubro de 2010

Machismo.


Ei, você, mulher. Você acha o mundo machista? Sente indignação ao saber que que a cada dez segundos - ou quinze; não lembro exatamente a estatística - uma mulher é agredida no Brasil? Se incomoda com o fato de que as mulheres são arrasadora minoria nos altos cargos das empresas privadas no nosso país? Já percebeu que, nos restaurantes, quase sempre o garçom se dirige ao homem da mesa, e não à mulher? País machista, né? Viva o feminismo e os direitos iguais. É assim que você pensa?

Pois me permita lhe perguntar, mademoiselle. Você, defensora desses direitos iguais, depois de ficar com um cara, alguma vez pediu o telefone dele e ligou pro tal dias depois chamando-o para sair, ao invés de esperar ele fazê-lo? Não, né? Mas aí seria demais, obviamente. Direitos iguais, mas nem tanto.

Pois é. Agora me diz, mulher de deus. Como é que você se indigna tanto com o primeiro parágrafo, mas acha tão fora do normal o que é proposta no segundo? Ah, mas é diferente, você deve estar me dizendo neste exato momento. E aí eu lhe respondo: diferente nada, é tudo machismo, meu povo. É farinha do mesmo saco. Se vocês querem direitos iguais, façam por onde. Respeitem-se. Levantem essas cabeça e olhem pro homem de igual pra igual. Não aceitem que ele pague a sua metade da conta no motel, ora. Se assim você fizer, estará dizendo implicitamente pro cara e pra você mesma, já fiz minha parte, dei pra você, agora paga o motel, que eu ainda quero ir jantar. Digam o que queiserem, mas, euzinho aqui, não abro porta de carro pra mulher nenhuma. Pra mim o cara que faz isso é, antes de gentil, machista. Sutilmente machista. E mais, só pago a conta inteira nos primeiros encontros, pra que ela não ache que sou pãoduro e me dispense antes que eu tenha tempo de lhe explicar toda essa minha teoria.

Nem machismo nem feminismo. Sou somente a favor dos direitos iguais. E você, mulher, ainda vai ser machista somente nas horas convenientes? Pense sobre isso. E você, você que não respondeu minha mensagem hoje. Muito obrigado, viu? Se não fosse seu "charminho" - que eu a propósito entendo e sei que faz parte do jogo -, essa crônica jamais teria existido.


Frase do dia:
"Era ainda jovem demais para saber que o a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas, e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado."
Gabriel García Marquéz

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