sábado, 11 de dezembro de 2010

A fruta.


Tem palavra que tá no dicionário não sei pra quê. Foi criada sem necessidade, por alguém muito preguiçoso que, pra não ter o imenso trabalho de dizer que-não-está-feliz, preferiu formar um novo vocábulo e se dizer triste simplesmente, como se a tristeza fosse lá um estado especial, novo, com características peculiares. Bobagem. Tristeza não existe. O que existe é a felicidade, que você alcança ou não alcança.

Sabe aquela fruta num canto alto do pé, que faz o camarada ficar pulando pra tentar alcançá-la? Pois é. Essa fruta é a felicidade. Tem gente que tem a incrível virtude de, sem esforço nenhum, esticar bestamente o braço e apanhar o tal fruto, levando-o para sempre consigo, num eterno estado de graça. É gente que alegra, que faz vibrar tudo o que está em volta, gente que sorri assim, pro mundo, que agradece.

Há também pessoas que passam a vida saltando mais e mais forte, num esforço hercúleo em busca desse estado tão desejado, mas inalcançado, de tão alto que parece estar o fruto. Essas lamentam e se sentem injustiçadas, sem saber por que não conseguem o que lhes é de direito: ser feliz.

E tem ainda aqueles, entre os quais me incluo, que reconhecem essa fruta, avistam-na e até ensaiam, timidamente, uma tentativa de pegá-la. Mas ela se mostra um pouco distante, o que nos faz deixá-la lá, como se fizéssemos pouco caso da tal felicidade. Ficamos por aqui mesmo, seguindo nossa vida, vazia. No entanto, nos tranquiliza saber que um dia o fruto há de amadurecer, e cair. Nesse dia, então, se estivermos ainda por estes terrenos, nos abaixaremos para apanhá-la. Caso nos apeteça.


Frase do dia:
"Tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas."
José Saramago

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