domingo, 30 de janeiro de 2011

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Sossego da madrugada,
Minh'alma desperta, ardente
Fala algo que não entendo
Me inquieto, incompetente

Sinto o vento da janela
Perscruto uma foto d'outrora
Na qual já me desconheço
Estranho espelho de um tempo

que me deixou, foi-se embora
Mas uma foto não é isso mesmo,
passado tolo que fomos?

A foto se descolore
É a cor fugindo ao papel
O que passou é tão disforme!


Frase do dia:
"É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Todas as coisas do mundo
Num só tic-tac, em suma,
Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Como goteira num balde
Cansa, aborrece, enfastia...
E a própria dor – quem diria? –
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma...
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Ainda bem que tudo acaba...
Ai que vida tão comprida...
Se não houvesse morte, Maria,
Eu me matava!"
Mário Quintana

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