domingo, 20 de março de 2011

A lua


Alguém avisou no facebook que hoje apareceria a maior lua dos últimos 18 - ou 19, 20, sei lá - anos. Nem dei bola. Tratei a notícia como se o tamanho com que a lua fosse se mostrar hoje fosse algo tão importante quanto a última eliminação no Big Brother Brasil.

Então, quando fui até a varanda do meu quarto dar uma olhada, como se diz, no tempo, me vi subitamente impressionado, perturbado pelo tamanho desse que é o maior difusor de luz natural quando o sol se esconde. Não tenho nenhuma régua de medir lua (como provavelmente a pessoa que divulgou a informação de que estamos falando), mas não possuo argumentos pra dizer que essa não é a maior que me lembro de ter visto na vida.

Ela estava magnífica, imponente, elegante e bem à minha frente, um pouco acima da altura em que eu me encontrava; mas só um pouco, tanto que mal precisei erguer minha cabeça pra ter sua melhor visão. Completamente descoberta, nua, como se as nuvens, cientes do raro acontecimento que hoje haveria, tivessem - tal qual as cortinas que se abrem marcando o início de um espetáculo teatral - decidido colaborar, deixando o céu - ou o palco, para os mais poéticos - todo ao dispor da principal (e única) atriz da peça. Me perguntei quantas pessoas estariam a reparar em tão linda cena; qual o tamanho da felizarda plateia que estaria naquele momento se deleitando num espetáculo tão belo; belo e silencioso.

Agora, madrugada feita, olho pela janela e não a vejo mais. Quem sabe ela, cansada de mim, tenha dito adeus e ido em busca de outro alguém, sozinho numa varanda solitária e à espera da maior lua dos últimos 18 anos, que certamente continuará nos enfeitiçando pelos próximos 1800.


Frase do dia:
"Além disso, vários jornalistas esportistas escrevem longamente sobre a minha transformação, e essa palavra me exaspera. Ela erra o alvo. Transformar é fazer uma coisa se tornar outra (...). Eu não me transformei, eu me formei. Quando comecei (...), era como a maioria das crianças: não sabia quem era e me revoltava que as pessoas mais velhas me dissessem o que ser. Acho que as pessoas mais velhas cometem esse erro o tempo todo com os mais jovens, tratando-os como produtos acabados, quando, na realidade, eles são uma obra em andamento. É como avaliar um jogo antes que acabe (...).

Bem ou mal, o que as pessoas enxergam agora é a minha primeira formação, minha primeira encarnação. Não mudei minha imagem. Eu a descobri. Não mudei o meu modo de pensar. Eu o expandi."
Andre Agassi, em sua autobiografia

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