quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Saúde


Mais ou menos uma vez por mês vou a um hospital público aqui de Fortaleza buscar uns remédios que a prefeitura doa pra um tratamento de minha avó (pois é, nem tudo é um completo descuido no que diz respeito à saúde pública brasileira).

Sempre que chego lá, invariavelmente, me deparo com o mesmo lamentável cenário: muita gente nos corredores, criança doente, idoso com jeito de quem já está com um pé na cova, adulto impaciente, doença pra dar e vender (pois é, nem tudo, tampouco, é uma maravilha na saúde pública de nosso país). Tenho a impressão de que, toda vez que entro ali, também fico um tantinho mais sem saúde.

Ao sair de lá, no entanto, me lembro de que estou no caminho certo, aquele que provavelmente me manterá longe dos hospitais por muitos e muitos anos. Afinal, tento seguir o tratamento mais indicado pra quem não quer ser frequentador assíduo desses ambientes hospitalares: esporte, atividade física, corpo ativo. Bom, na verdade também não é pra tanto, não sou nenhum atleta de alto rendimento e nem tenho uma alimentação que eu considere exemplar: como de tudo quantas vezes tenho vontade. Quis dizer apenas que me preocupo em três vezes na semana botar as articulações pra trabalhar.

Ontem estava conversando com a Olívia (bem, o nome dela não é esse, mas, como ela ficou um pouco injuriada quando a avisei que iria falar de seu sedentarismo por aqui, preferi mudar seu nome, pra preservá-la, que nem naqueles programas policiais), uma amiga gente fina que me confessou algo muito sério sobre sua vida: até não muito tempo, ela não fazia um exercício sequer, se alimentava praticamente à base de sanduíches, biscoitos e afins e tomava – essa parte deve causar náuseas em qualquer nutricionista – dois litros de Coca-Cola por dia. Mas ela tem progredido, de modo que hoje não toma mais esse veneno gaseificado de coloração escura e faz ioga com bastante frequência.

Acho engraçado: percebi que há uma quantidade enorme de pessoas de mais idade que fazem cooper. Coincidência? Claro que não. Muitos provavelmente passaram a vida inteira sem fazer exercício com regularidade, deixando enferrujar todas as engrenagens dessa máquina que é o corpo humano. Então, num belo dia em que foram ao médico, possivelmente apareceu algum tipo de diagnóstico não muito agradável (pressão alta, colesterol acima do limite normal, diabetes...) e a prescrição do doutor: você precisa fazer algum tipo de exercício físico. E lá se vai a terceira idade correr atrás da saúde que não cultivaram quando mais jovens.

Porque atividade física, no fim das contas, é igual a aposentadoria: ou você contribui enquanto é jovem e depois colhe os frutos, ou então vive deixando isso pra lá e depois dos 50 lamenta o que poderia ter feito durante a juventude.


Frase do dia:
"(...) é tanto o que temos para dizer quando calamos (...)"
José Saramago

2 comentários:

  1. Acho que me identifico mais com a Olívia do que com você no quesito saúde. Mas, assim como ela, acho que estou progredindo a passos largos.

    Porém, não posso negar que sempre me questiono sobre essa onda geração saúde. Acho que tem muito marketing por trás de tudo isso, sabe? Em cima dos produtos vendidos para isso, inclusive produtos alimentícios, esportivos e blá blá blá. Mas enfim, isso é conversa pra uma noite regada à cerveja (algo condenável para a vida politicamente saudável).

    Beijo,

    Larissa.

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  2. (...) tento seguir o tratamento mais indicado pra quem não quer ser frequentador assíduo desses ambientes hospitalares: esporte, atividade física, corpo ativo.(...)
    Engraçado, pouco depois de escrever esse comentário vc me ligou dizendo q não ia para o racha porque tava de ressaca: "to meio ressaquiado, acho que não vou poder concorrer na eleição de melhor do racha hoje, vou não oh Chico"

    Pode isso Lyoto?

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