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Mostrando postagens de Abril, 2015

Amor

Se você tivesse de escolher uma cena, apenas uma cena que expressasse a ideia que faz de amor - aliás, para não corrermos o risco de escorregar nesta palavra, tão usada e por isso mesmo esvaziada: se tivesse de escolher uma cena que concretizasse ao máximo o querer-bem-a-alguém, o querer-estar-bem-de-junto-de-alguém, o querer-que-alguém-seja-feliz, que quadro criaria?
Nos últimos tempos essa ideia ficou como que me circundando, me perscrutando, esperando ser atendido no consultório médico e lá estava eu, que imagem traduziria esse sentimento? Professor discursando em sala e eu, que cena, que cena, que cena?
Eis que a resposta, a imagem - a qual, como certa vez disse Murilo Mendes em ensinamento a João Cabral de Melo Neto, é mais importante que a ideia, daí talvez minha fixação em encontrar a tal cena - me veio exatamente de quem já havia despertado a minha procura.
Ela dormia. Creio que há não muito tempo, mas tempo já suficiente para parecer esquecida do mundo, dado o quase-sorriso …