terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O texto de um dia.


Às palavras, quero me entregar sempre. Quero um dia produzir escritos refinados, perfumados como um jasmim ou um manacá posto num jardim bem bonito, numa daquelas casas super aconchegantes, com paredes e móveis de madeira pesada, bem escura e bonita e imponente. Pronto. Está posta a comparação, quero um escrito que nem essa casa, e cheirando a jasmim ou a manacá. Será um texto que vai me preencher, vai me embevecer do começo ao fim, quero delirar, me encantar, sentir meus olhos brilharem ao final com uma produção minha, só minha, saída dessa cabeça que minha mãe dizia ser oca, oca nada, mamãe, veja só esse texto, eu que fiz, eu, só eu!

Um texto de uma tirada só, feito numa madrugada fria e solitária, com uma lua cheia a iluminar levemente a janela, inspirando-me da primeira à última palavra. E não será para mostrar para qualquer um, da minha intimidade cuido eu.

Ao fim das últimas palavras, salvo o documento e desligado o computador, ainda escutarei susurros no corredor me dizendo, "Mandou bem, garoto, muito bem!", ao que responderei, quase caindo de sono, obrigado, tio Helder, obrigado, boa noite pro senhor.

Tenho ainda muitos anos. Quem sabe daqui a algum tempo, já com netos e cabelos brancos, terei o imenso prazer de dizer que cheguei lá. Um texto com as cores, com a forma e o perfume sonhados anos atrás.

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