sábado, 7 de maio de 2011

O olhar


Num sábado de manhã, um olhar frio que mira o mar. Pés na areia, coração enterrado, há alguém frente a frente com o mar; como num desafio, só que mudo. Ao redor, embora resida no mar o último fio de esperança no qual se prende a vida, imagens e sons diversos distraem vez por outra aquele espetáculo que, este sim, interessa: o olhar que mira o mar.

Vez por outra o homem vacila, perde o foco, cava com os pés, de cabeça quase imperceptivelmente baixa, alguns buracos na areia. A seguir, soergue-a mais uma vez, tão levemente que parece até algum deus levantando-lhe o queixo com dedos delicados, até pôr sua cabeça novamente num ângulo raso com o mar, oh mar!

Ninguém o observa, mas sua imagem encandeia; ninguém o escuta, mas ele grita pro mundo inteiro ouvir; ninguém lhe acode, mas ele pede socorro.

O homem se levanta, vai-se embora escrever uma crônica, pra ninguém ler e o mundo continuar, indiferente.


Frase do dia:
"(...) no momento em que aceitarmos finalmente as nossas diferenças, seremos finalmente iguais."
Eduardo Soares Batista

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