segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Das acelerações da vida

A nova propaganda do filtro solar Sundown é simples, mas traz um recado pra lá de válido, em especial nos enclausurados dias em que vivemos.

A marca nos faz alguns interessantes pedidos – que óbvia e indiretamente implicariam o aumento do consumo do seu produto. Pede, ainda que não exatamente com estas palavras, pra que nós, que vivemos excessivamente conectados às redes sociais, antenados nas compras virtuais e dependentes de toda essa parafernália que criamos, lembremos que a vida não se resume a essas modernidades. Nos lembra que pode haver, desde que assim decidamos, mais churrascos com os amigos, mais dias de sol passados na praia. Com uso do protetor solar, tá, já entendi.

Mas o recado primeiro do comercial foi mesmo sensato. Porque já passou da hora de nós, seres humanos denominados (por nós mesmos, que arrogância, não?) superiores, pararmos pra ponderar: temos tido de fato uma vida aprazível, saudável, harmoniosa? Quantas vezes ao ano somos involuntariamente impelidos a trocar uma ida ao cinema, uma sossegada caminhada a céu aberto, uma tarde com seu amor, uma manhã só dedicada à leitura daquele livro que há tempos está encostado na cabeceira da cama, quantas vezes ao ano, como dizia, trocamos tudo isso por trânsitos infernais, discussões com atendentes de telemarketing que nos esgotam a sempre escassa paciência, fins de semana em que tudo o que se deseja é esquecer a semana que passou?

Sei que poderia ter falado nisto no fim do ano passado, pra aproveitar o típico tema do Ano Novo, mas falarei agora, que afinal ainda estamos em janeiro: sabe o que desejo pra você, pra mim, pra todo o mundo em 2012? Que a gente trabalhe menos e leia mais, olhe menos pros novos modelos de automóveis que surgem a cada dia e erga mais o olhar para o céu a fim de ver os belos dias de sol com que temos sido presenteados, que a gente critique menos e elogie mais, que ganhe menos desde que seja mais feliz. Só isso, e já será um grande ano.

Mas tudo o que fazemos é seguir trabalhando, trabalhando, trabalhando. A propósito, sabe aquele papo de que o trabalho dignifica o homem? Queria saber quem foi o genial cidadão que inventou essa história. Porque pra mim, nos moldes de hoje, o trabalho só limita o homem. Impede que ele possa ser mais questionador, sensível. Não há tempo para adjetivos como esses.

Tudo o que há é um jogo que chamamos vida, a qual corre acelerada sem respirar pois um dia tudo pode acabar.

Aí um dia tudo acaba.


Frase do dia:
"O autor jovem sempre fala se si mesmo, até quando fala dos outros, ao passo que o autor maduro sempre fala dos outros, até quando fala de si mesmo."
Stephen Vizinczey

4 comentários:

  1. É, ainda dá tempo desejar sim... que possamos esquecer mais essa parafernalha... para assim, desfrutarmos da enorme felicidade contida nos simples atos do dia a dia! Adorei o blog!
    Natalia Barreto.

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    1. Que legal, Natalia, seja bem-vinda, fico feliz.

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  2. Obrigada, Lucas!
    Enquanto não chega a próxima crônica, vou explorando seu blog, rs! Já li um bocadinho das suas crônicas. Elas são ótimas! Parabéns! Beijo.
    Natalia Barreto.

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  3. fazia um tempinho q não lia suas crônicas... agora "to tirando o atraso", rsrsr e adorei essa Lucas! beijos! Tádila

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